Conto do vigário

A igreja estava cheia.
Os convidados estavam impacientes.
André, o noivo, sem saber o que fazer.
Fabíola, a noiva, furiosa, havia chegado há mais de meia hora à porta da igreja.
Faltava o padre.
Padre Domingos era bem rigoroso com horários. Nunca se atrasara nesses 20 anos na Paróquia de São Leandro.
Não estava em lugar nenhum. Não atendia o celular. Ninguém sabia onde o pároco foi parar.
Combinara com os noivos para que a cerimônia começasse impreterivelmente às 18h30. Já passava das 20h30.
Alguém sugeriu procurar outro padre. Todos os padres encontrados estavam comprometidos com outras cerimônias.
E agora?
Às 21h, um homem de batina entrou. Cochichou algo no ouvido do noivo.
O homem de batina foi à frente da igreja. Apresentou-se como Padre Adalberto.
Disse que o padre Domingos teve um imprevisto.
Oficiou uma rápida, mas tocante cerimônia de casamento.
À saída, todos queriam cumprimentar o padre substituto. Ele desaparecera.
Tinha que se apresentar em uma peça teatral que começava às 23h, do outro lado da cidade.
Padre Adalberto não era padre nem Adalberto. Era Lúcio Flávio, ator e amigo do Padre Domingos, que não conseguiu levantar da cama, arrasado com a ideia de ver seu grande amor, André, se casando com outra pessoa.

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1 respostas para Conto do vigário

  1. Dos bons, ótimo texto, parabéns!!

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