Saudades de si

Reginaldo estava com saudades.
Dele mesmo.
Em que espelho terá perdido sua face?
Aquele a quem contemplava não era mais ele.
Era um ele que ele não gostaria de ser.
Onde foi parar o Reginaldo que já tinha sido?
Irônico, divertido, sincero, inesperado.
Transformou-se em alguém comum, previsível, que repete platitudes. Mais um.
Ah, Reginaldo, cadê você?
Repetia(-se) essa pergunta todos os dias.
Será que isso era ser maduro?
Quem pode trazer de volta o Reginaldo?
Às vezes, consolava-se. “Nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia.”
Talvez ele não quisesse ser o Reginaldo que já foi um dia.
Mas não queria ser o Reginaldo de hoje em dia.
“Ah, Reginaldo, volte a ser o Reginaldo.”
Parece que esse era o clamor que ouvia de todos ao seu redor.
Um belo dia resolveu mudar.
E fazer tudo o que queria fazer.
E tudo o que queria fazer e fez, parece ter trazido aquele Reginaldo de volta.
Mas ele sabe que tudo passa, tudo sempre passará.

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3 respostas para Saudades de si

  1. GISELE TESSER disse:

    ADOREI A CRÔNICA, AS VEZES O REGINALDO MADURO TOMA CONTA DE NÓS E A SAUDADE DO VELHO REGINALDO BATE A PORTA, MAS A REALIDADE TRAZ TANTAS OUTRAS REALIDADES………E FICAMOS ANDANDO SEMPRE ENTRE OS DOIS REGINALDO!!!!!!!!!!!!!!!!!

  2. Will Angolano disse:

    Saudades da minha autenticidade. Liberdade e coragem.
    A vida dá mais voltas que a terra.

  3. Mirian disse:

    Ah Erica… volte, antes que a Mirian tome conta. A Mirian será uma eterna criança mesmo, mas olhando daqui, prefiro as duas e sinto saudades quando uma das duas está dormindo.

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